terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A PALAVRA - Por Gustavo Samuel

Prendam a palavra! Joguem ela no mais fundo e escuro calabouço! Ela é perigosa, daninha, subversiva! Mesmo se desenhando delicada e inocente algumas vezes, é uma ameaça para todos nós!


Toma feições perigosas muitas vezes. Ousa se desenhar no campo como reforma agrária e no panfleto do operário como greve. Uma vez, há muito tempo se escreveu na sua forma mais terrível: Revolução.


Nos muros de São Paulo, quebrando todas as regras ortográficas e gramaticais, subvertendo a ordem da língua portuguesa, sem til e acento, se pixou assim: “Proletarios de todos os paises, uni-vos”.


Prendam-na! Prendam-na! Prendam-na! É uma ordem. A abusada se transveste em várias línguas, orgulha-se por ser universal, internacionalista! Em letras miúdas ou garrafais, escrita ou falada, é sempre terrível.


A desgraçada não se contenta em incitar as massas, também se intromete em nossos assuntos. Nomeia nossos atos. Balançando a cabeça envergonhadas, milhões de nos denunciam: Golpe, repressão, corrupção, assassinato, ditadura, exploração!


Tranquem-na em uma cela e joguem a chave fora. Chega de luta, chega de esperança, chega de alegria, chega de coração. Bom é o silêncio. Omisso e respeitoso. Que não alerta, que enterra essas idéias perigosas. Prendam! Capturem! Não deixem à solta a Palavra! Ela é comunista!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Os Estados Unidos e a economia da destruição - Robson de Moraes

Robson de Moraes é professor; membro da Comissão de Políticas Urbanas da Associação dos Geógrafos (AGB-GO) e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

A economia norte americana está assentada em complexo militar - industrial. Se o Pentágono fosse um país, estaria entre as quinze maiores economias do mundo. Segundo Stephen Dais, com os dólares que foram gastos com armamento pelo governo americano, no período de 1947 a 1989 (8,2 trilhões de dólares), poderia se construir um outro do país do porte dos E.U.A , incluindo todas as suas indústrias e infra-estrutura existente. Só no ano de 2002 foram gastos com armamento, em todo o planeta a soma de 0,8 trilhões de dólares, sendo que cinco países são responsáveis por metade deste gastos.Em 2005, somente o Ministério da Defesa Americano, superou a cifra de um bilhão de dólares por dia. O orçamento de desenvolvimento e pesquisa do Pentágono, equivale a algo entre 70% e 80% das pesquisas militares realizadas no planeta. Seymour Melman, afirma que desde 1951 o orçamento militar americano envolve uma quantia maior do que a somatórias de todas as corporações sediados no país. O setor bélico (estatal e privado), empregava em 1986, mais de 6 milhões de pessoas, um em cada 20 empregos depende direto ou indiretamente de gastos militares (Washington Post - 17/01/1986) , sendo que a fronteira entre o que é incluindo ou não no orçamento militar é mantido inteiramente na sombra. George McGovern, sustenta que em 1969 a cada um dólar pago de imposto pelo cidadão dos estados Unidos, apenas 28% ficavam liberados para despesas não militares. Como se pode concluir, considerar o grande irmão do norte como um estado militarista tem a sua razão.

Atualmente o Capital Financeiro, a industria militar americana, aliado ao capital petrolífero e a grande mídia, compõem o centro hegemônico na estrutura de poder da sociedade americana. A administração W. Bush, foi apenas uma expressão mais reveladora da presença deste agrupamento no domínio da maior potência militar do planeta. Após os atentados de 2001, foram autorizados mais gastos militares. As empresas contratadas no setor privado são as mais lucrativas. A Rockwell International multiplicou por oito seus contratos com o Pentágono. Desde então, segundo Mario Pianta, as contribuições às campanhas presidenciais multiplicaram por quatro.

Richard Chenney (Vice - Presidente de Bush), foi executivo principal da Halliburtun Corp, empresa mãe de uma das maiores beneficiárias de contratos com Pentágono (Kellogg, Brown & Root), que ganhou contrato milionários para as obras do Iraque ocupado. Na vigência da política contra o "eixo do mau", os gastos militares foram elevados em 18% para fim de modernização tecnológica. Empresas como Boeing, Lockeed Martin e Northorp Grummann, estão entre as que mais faturaram com os avanços da máquina da guerra.

Vinte e dois, dos cinqüentas estados americanos, dependem das despesas militares. Em 14 estados o emprego está ligado a empresas com íntima relação com o sistema de defesa. A economia deste país não pode suportar o desarmamento. Em sete estados a indústria da guerra representa 20% da economia. Desta forma, é fácil chegar a conclusão que a economia dos Estados Unidos é extremamente dependente da máquina de destruição da vida. Os grupos industriais norte americanos, que nas décadas de 1920 e 1930, eram inseridos na produção automobilística, migraram com a crise de 1929 e a II Grande Guerra, para as encomendas militares. O complexo industrial militar do Tio Sam é de um tipo jamais visto na história da humanidade, que resultou (direta ou indiretamente), nas guerras mais sangrentas da experiência humana na Terra.


A história da economia armamentista norte americana andou lado a lado, com o aumento do déficit público. As aparentes tentativas de fazer encolher ou de formatar o complexo militar - industrial, converteu – se em seu oposto, isto é, em mais gastos militares. Em 1949, houve uma depressão na economia dos Estados Unidos, com diminuição do Produto Interno Bruto e quebra das importações. Este fenômeno estava relacionado ao desarmamento seguido pelo fim da Guerra. A Guerra da Coréia reverteu esta tendência, realimentando a taxas de lucros. A saída encontrada pela economia capitalista para a crise de super - produção, veio com a corrida armamentista e não através da Teoria Geral de Keynes como muito se divulga. Para Claudio Katz é importante observar o desenvolvimento tecnológico, que se faz fundamental neste setor, Katz indica que todas as inovações tecnológicas significativas nas últimas décadas, foram inicialmente concebidas em esfera militar: a microeletrônica surge como resolução de problemas de balísticas; a energia nuclear veio do âmbito militar etc.

No imediato pós guerra, a demanda mundial era inferior a capacidade produtiva dos Estados Unidos. A pura e simples expansão produtiva poderia agravar ainda mais a super - produção. A indústria da guerra tem o "mérito" de elevar o poder de compra e consequentemente o consumo, sem produzir uma massa de mercadorias que vão ao mercado competir com outras mercadorias já existentes. A produção induzida pelo governo, tem a vantagem de não concorrer com a produção não militar. Os setores da economia voltado para a produção de mercadorias, perderam o controle da reprodução ampliada do capital para a indústria armamentista. O governo americano passou a ser o grande comprador "consumidor coletivo".

A partir da estruturação da economia de guerra dos E. U A. fica patente a insuficiência do argumento, que defende a idéia na qual a cada crise a economia capitalista se renova, volta a crescer, acumula e desenvolve novamente as forças produtivas. O Grande Irmão do Norte criou uma economia baseada na guerra permanente, bem diferenciado do imperialismo britânico precedente.

Governos no mundo inteiro, não tem como subsidiar nada. A capitalização de recursos estatais são provenientes da própria população. Na prática o que ocorre é que uma parte da sociedade subvenciona a outra parte. O setor da economia não militar financia por meio de impostos a ajuda governamental à produção bélica. Os países mais ricos do mundo passam a ter sua base econômica embalada pelo crescimento da dívida pública, o G– 7, (grupo dos sete países mais ricos do mundo: E.U.A, França, Reino Unido, Itália, Canadá , Alemanha e Japão), criado no contexto do choque do petróleo de 1975 e do esgotamento do acordo de Breton Woods, vem implementando esforços de controlar artificialmente o déficit estatal através da financeirização, na qual a especulação passa a ter papel destacado e constituir-se como principal ator. Financeirização empresarial, desenvolvimento de estratégias de lucratividade a curto prazo, vão construindo o cenário em que o setor produtivo vai cedendo lugar aos ativos financeiros. O resultado? Todos nós já conhecemos: a atual crise econômica.

Aliada a incrível máquina de guerra estadounidense, uma outra tática é largamente adotada: a chamada terapia do choque, técnica que consiste em se aproveitar momentos de pavor para introduzir mudanças tidas como necessárias. Segundo o economista norte americano Milton Friedman, considerado um dos principais teóricos do liberalismo econômico contemporâneo, defensor do Capitalismo Laisse - Faire e do livre mercado, Somente uma crise, real ou pressentida, produz mudança verdadeira". A afirmação de Friedman é a ponte que vincula uma onda de desastres naturais e provocados, com a ascensão do chamado neoliberalismo, nas mais variadas regiões do planeta.

Nas terras do Tio Sam o furacão Katrina, que arrasou com a região metropolitana de New Orleans, em agosto de 2005 e vitimou milhares de pessoas, foi recebido por "Tio Miltie" (nome dado pelos alunos de Friedman), em matéria publicada no Wall Street Journal, como uma "enorme possibilidade de reforma no sistema educacional de Lousiania". Antes da passagem do Katrina, havia 123 escolas públicas e 7 privadas. Os professores contavam com uma forte representação sindical. Depois da tempestade, só restaram 4 escolas públicas, pois, as demais foram privatizadas. Os 4.700 professores demitidos e depois, uma parcela recontratada com salários reduzidos e sem estabilidade. O Americam Interprise Institute, declarou : " O Katrina realizou em uma semana, o que os reformadores neoliberais não conseguiram em anos", é o Capitalismo de Desastre.

Em 1947 Milton Friedman e Friedrich Hayek fundaram a sociedade de Mont Pelerin, um clube que incorporava economistas defensores da idéia de livre mercado, que levou o mesmo nome da pequena cidade suíça onde reuniam-se anualmente. Neste momento histórico, o mundo acabava de sair de uma Grande Guerra e de uma depressão econômica. O contexto da fundação do grupo de Mont Pelerin não era o mais estimulante para os novos liberais. Desde a crise de 1929 e a Teoria geral de John Maynard Keynes, a intervenção do estado como instrumento de regulação da economia era amplamente praticada. Friedman e Hayek eram vistos como pensadores exóticos e completamente descontextualizados das reais necessidades existentes no mundo da economia.

Em um de seus livros (Capitalismo e Liberdade), Friedman sistematiza os principais elementos que orientariam o mercado global e nos Estados Unidos seria transformada na agenda do movimento neo– conservador: Em primeiro lugar os governos deveriam abolir sistematicamente todos os entraves e empecilhos existente no caminho da acumulação de capital; Deveriam vender todos os ativos que pudessem ser administradas por empresas privadas. Deveria ainda cortar os gastos sociais. As diretrizes apresentadas tinham o inconveniente de ser extremamente impopular não podendo ser aplicada em um país onde a democracia e vontade popular fosse base estruturante da vida política, pois a reação a tais medidas poderia representar perda de popularidade e consequentemente de voto.

Com o crescimento das orientações do Desenvolvimentistas no Terceiro Mundo e as constantes ameaças aos interesses americanos nestas regiões é que vem a tona a Doutrina do Choque, em que se aproveita de um momento na qual a sociedade se encontra atordoada para realização da agenda apresentada por Friedman. Os sucessivos golpes militares executados na América Latina vão fornecer o ambiente necessário para a aplicação da agenda Neoliberal, sendo que a resposta popular passaria a ser simplesmente criminalizada e taxada de vandalismo, terrorismo ou comunismo.

O Chile é o palco da primeira experiência . O choque implemetado pela violenta deposição do Governo eleito de Salvador Allende e a ascensão de Augusto Pinochet, foi a bandeirada de largada do experimento Neo- liberal. Com tanques e canhões de guerra nas ruas a sociedade chilena presenciou a taxa de desemprego subir de 3% (durante o governo Allende ) para 20% um ano após o golpe. As manifestações populares duramente reprimidas pela Lei Marcial e o toque de recolher. A economia contraiu 15%. Em contrapartida grandes empresas estrangeiras passavam a controlar a economia aumentando expressivamente sua lucratividade.

A próxima experiência vem com outro golpe militar um novo choque, desta vez na Argentina (1976), que ao colocar o Peronismo na clandestinidade, a Junta Militar proíbe greves e elimina todas as restrições para demissão de trabalhadores. A ditadura privatizou centenas de Companhias Estatais, transformando o país em solo atrativos para as multinacionais com a admiração e agradecimento de Washington. As celas e presídios ficaram abarrotadas de prisioneiros criminalizados pela resistência. Bolívia, Colômbia, Uruguai, Paraguai, entre outros seguiram o mesmo caminho.

Na década de 1980. o choque, na América Latina, foi causado pelo impacto da dívida externa. Com a elevação brutal dos juros da dívida promovida pelo Banco Central americano (FED), os países endividados foram obrigados a recorrer a empréstimos de curto prazo (F.M.I), o que invariavelmente agravou a situação.

O ideário neoliberal e sua Doutrina de Choque não se restringe aos países sul americanos. A Inglaterra do final da década de 1970 vivencia sua terapia de choque com Margareth Thatcher. Eleita em 1979 com o slogan " O trabalhismo não está funcionando", provocou a elevação dos níveis de desemprego e da inflação. Em 1982 seu índice de aprovação chegava a 18%. Mas um fato inusitado veio a proporcionar ao governo conservador inglês, bem como a junta militar argentina a edição de um novo choque. As Ilhas Malvinas, identificado como território britânico no atlântico sul e considerado, até então, como um peso para os cofres da coroa, foi ocupada por tropas argentinas. A guerra estava declarada. Uma ampla campanha de mídia foi iniciada relembrando a trajetória do orgulho do Império Inglês. No final da guerra (11 semanas e pouco mais de mil mortos), a popularidade de Thatcher ultrapassava a 59%. A reeleição estava garantida. O novo inimigo, agora interno, são os trabalhadores das minas de carvão em greve. Com o aparato repressor já montado pela recente guerra, a greve dos mineiros (o sindicato mais forte da Inglaterra) foi derrotada em um manifestação final com mais de setecentos feridos. O choque estava completo atordoados os Keynesianos e a esquerda trabalhista não puderam mais reagir. Privatizações, estímulo a fusões e cortes sociais foi o que se seguiu.

Os países do Bloco Socialistas não estavam imunes a Terapia do Choque de vertente Neoliberal. A ascensão do Movimento Solidariedade de Lech Walesa ao governo levou a Polônia a inflação de 600% e ao racionamento de comida. A festejada Perestroika (reestruturação) e Glasnost (abertura) de Mikhail Gorbachev, culminou com Boris Yeltsin e a completa bancarrota e desaparecimento da URSS. Na África do Sul a chegada ao governo de Nelson Mandela e dos militantes anti-apartheid do C.N.A (Congresso Nacional africano), incorporou a premissa neoliberal e foi incapaz de corrigir as graves distorções sociais e econômicas existentes no país

Nos Estados Unidos da era Reagan o mesmo ocorreu. O ex ator de Hollywood, em uma única canetada demitiu 11.400 controladores de vôo em greve, dobrando um importante sindicato deste país. Recentemente, os atentados às Torres Gêmeas fornecem os ingredientes necessários para a execução da chamada Terapia do Choque. Atordoadas pela ação que vitimou milhares de pessoas, o governo americano em uma imaginada cruzada, constrói todo um cenário propício a manobras políticas e econômicas de seus interesses. Governos em várias partes do planeta apresentam "preocupações" semelhantes e recorrem a medidas de exceção que fortalecem o controle e a obediência, evitando ou combatendo diretamente as mais variadas reações.

A crise do capitalismo expressada pelo descenso político do neoliberalismo, pode representar uma crise de hegemonia norte americana, no entanto, a edificação de um bloco de forças anti-imperialistas e anti-neoliberais, encontra uma série de dificuldades. O que se denomina de Pós-Neoliberalismo, é um termo por demais genérico e incorpora diferentes formas de negação do Consenso de Washington. A quadra histórica que vivemos é amplamente marcada pela perda de legitimidade das correntes liberais e por variados esforços de viabilização de projetos alternativos tendo ainda como pano de fundo o cheiro de pólvora e cadáver do belicismo americano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Socialismo e poder comunitário na Bolívia: Mais uma vitória das forças antiimperialistas - Por: Fernando Viana*

No dia 6 de dezembro de 2009 ocorreram as eleições gerais na Bolívia. Com mais de 60% dos votos, as forças socialistas e antiimperialistas confirmaram o aprofundamento das mudanças que vive a "grande pátria", como costumam dizer os bolivianos. Em discurso, na grande festa da vitória, na praça "Murillo", em La Paz, Evo disse ter a obrigação de acelerar o processo de mudança, já que agora contará com dois terços do parlamento. Morales conta com apoio da COB (Central Obrera Boliviana), dos campesinos e dos povos indígenas que se colocam como protagonistas da construção de um poder comunitário.



Com pouco mais de 20% dos votos, o principal opositor de Evo Morales, Manfred Reyes, ex-governador de Cochabamba, com formação militar, saiu desmoralizado destas eleições. Não era para menos, o vice de Reyes, ex-prefeito de Pando, encontra-se preso por sua responsabilidade no massacre contra campesinos em Porvenir, em Setembro de 2008. A vitória de Evo Morales representa, portanto, a vitória dos movimentos sociais contra a elite mais violenta da Bolívia.



Para o cenário internacional, particularmente o latino americano, a vitória da esquerda na Bolívia significa mais um passo na luta antiimperialista, contra as intervenções bélicas dos EUA, em defesa da soberania dos povos. No momento em que foi depositar o seu voto, no colégio Aspiazu, o Ministro da presidência, Juan Ramón Quintana, afirmou que o governo e as forças democráticas estarão prontos a reagir contra a direita golpista e que a Bolívia lutará por sua soberania e de todos os povos da América Latina frente aos estadunidenses e imperialistas.



O Partido Comunista Boliviano, que elegeu dois suplentes ao Senado e ajudou a eleger alguns deputados aliados, avalia que o momento é de muita unidade e organização das forças democráticas. Marcos Domich, membro do Comitê Central dos comunistas bolivianos, afirmou que a direita saiu derrotada do processo eleitoral, mas não aceitará passivamente tal resultado e que se faz necessário impulsionar o processo de mudanças, garantindo a coerência das forças socialistas.


* Fernando Viana é Secretário Político do CR de Goiás e membro do Comitê Central do PCB. Encontra-se na Bolívia, onde foi observador internacional nas eleições deste domingo e representa o PCB em outras atividades, em especial em articulação com o Partido Comunista Boliviano.

Mensagem da UJC ao 38º congresso da UBES

MANIFESTO DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA - UJC AO 38º CONGRESSO DA UNIÃO BRASILEIRA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS – Belo Horizonte/MG SOCIALISMO, O OUTRO MUNDO POSSÍVEL! Guerras, fome, desemprego, violência, analfabetismo, miséria e opressão são palavras que se relacionam diretamente com o Capitalismo. O Capitalismo passa por uma crise onde os ricos, que se beneficiam com este sistema econômico-social, estão procurando fazer com que a conta seja paga pelos trabalhadores e a juventude. Através das guerras os países imperialistas, tendo a frente o Governo dos Estados Unidos, promovem a morte de milhares de crianças, jovens e adultos em vários cantos do mundo. Na Colômbia, um país da América do Sul vizinho do Brasil, o presidente (Álvaro Uribe) autorizou a instalação de Bases Militares dos Estados Unidos e continua a realizar uma política que não respeita os Direitos Humanos. Recentemente a polícia colombiana assassinou mais um líder estudantil que lutava por melhorias na Educação deste país. Os estudantes brasileiros devem compreender a importância da solidariedade internacional com os jovens e povos que lutam contra o capitalismo e o imperialismo. "Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros". Che Guevara DO FORA COLLOR, PASSANDO PELO FORA FHC E FMI AOS BRAÇOS DO GOVERNO LULA! A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES desempenhou um importante papel nas lutas do povo brasileiro por mudanças na política nacional e por transformações sociais em nosso país. Infelizmente hoje, a atual direção da entidade esta atrelada aos interesses do Governo Lula e de seus aliados. Lula optou por governar em aliança com políticos corruptos, banqueiros, latifundiários em benefício dos ricos. A entidade que em seu passado foi fundamental para a derrubada do Presidente Fernando Collor (1992), impulsionando com amplas manifestações de rua a campanha nacional por sua saída e fez parte das mobilizações contra as políticas neoliberais do governo Fernando Henrique Cardoso, patrocinadas pelo Fundo Monetário Internacional (entre 1999 e 2001), hoje, esta cada vez mais atrelada ao Governo Federal e seus aliados Sarney, Collor, Renan Calheiros, Sérgio Cabral, Hélio Costa, Ciro Gomes... Somos mais de trinta milhões de estudantes no Brasil, vivenciamos todos os dias problemas em nossas escolas, bairros e comunidades. Se nos organizarmos podemos influenciar os rumos da educação em nosso país e somar forças junto às lutas do nosso povo para buscar resolver os graves problemas sociais de nosso país como a fome, o desemprego e a violência). OPOSIÇÃO INDEPENDENTE DA UBES E DEMAIS ENTIDADES ESTUDANTIS EM RELAÇÃO AO GOVERNO LULA! O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! No Brasil, os estudantes devem ficar atentos. Após a descoberta do Pré-sal os interesses do capital estão cada vez mais aflorados. Os Estados Unidos reativaram a Quarta Frota Militar (uma base militar naval no Atlântico Sul) e podem fazer de tudo para se beneficiarem da produção que virá da exploração do Pré-sal. Os recursos gerados pelo Pré-sal não podem ficar nas mãos do capital. Devem beneficiar os trabalhadores e a juventude com mais recursos para a Educação, Saúde, Habitação etc. Para que isto ocorra é fundamental que o movimento estudantil, o movimento sindical, e os movimentos sociais e populares lutem juntos pela Reestatização da Petrobrás! PARTICIPAÇÃO DOS ESTUDANTES E DAS ENTIDADES ESTUDANTIS NA CONSTRUÇÃO DA CAMPANHA NACIONAL “O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO!” REORGANIZAR O MOVIMENTO ESTUDANTIL SECUNDARISTA NO BRASIL! O movimento estudantil secundarista encontra-se bastante enfraquecido. Se observarmos as atuações da maioria das entidades estudantis podemos verificar que elas não funcionam e poucos esforços são feitos para organizar e mobilizar os estudantes na luta por seus direitos e reivindicações. A maioria das escolas não tem um Grêmio Estudantil bem organizado, independente e capaz de aglutinar as lutas dos estudantes. As direções das entidades estudantis municipais, estaduais e a nacional (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas - UBES) são em sua maioria ligadas a grupos políticos financiados e apadrinhados por governos e políticos corruptos. Devemos e podemos mudar este quadro. Se por um lado observamos estudantes e entidades estudantis ligadas aos governos e a máfia das carteirinhas, de outro existe uma parcela considerável de estudantes desanimados e afastados das lutas devido à falta de formação política, a passividade das entidades estudantis e ao descrédito em relação a luta dos estudantes por melhorias da educação e pela transformação da sociedade. Propomos aos estudantes secundaristas de todo o país unidade na luta pela reorganização do movimento estudantil brasileiro. Para tal é necessário que somemos forças na construção de campanhas, manifestações, seminários e encontros estudantis onde iremos organizar a luta dos estudantes por suas reivindicações. A HORA É ESSA! CAMPANHA NACIONAL DE CONSTRUÇÃO, RECONSTRUÇÃO E FORTALECIMENTO DOS GRÊMIOS ESTUDANTIS. AMPLIAR E FORTALECER A LUTA PELO PASSE LIVRE PARA OS ESTUDANTES! CRIAR FRENTES DE LUTA PELO PASSE LIVRE! ACESSO UNIVERSAL AO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO! LUTAR PELA UNIVERSIDADE POPULAR! NENHUM DIREITO A MENOS PARA OS ESTUDANTES! EM DEFESA DA MEIA ENTRADA! CONTATOS: (11) 31068461 – SÃO PAULO (21) 25092056 – RIO DE JANEIRO (31) 32016478 – MINAS GERAIS (41) 33361905 - PARANÁ (48) 4330843 – SANTA CATARINA (51) 91874961 – RIO GRANDE DO SUL (61) 33232226 – DISTRITO FEDERAL (62) 92483092 – GOIÁS (67) 33511122 – MATO GROSSO DO SUL (71) 32464284 – BAHIA (79) 32221180 - SERGIPE (81) 34231394 – PERNAMBUCO (82) 30356125 – ALAGOAS (84) 88454872 – RIO GRANDE DO NORTE (85) 32924103 – CEARÁ (86) 32131305 – PIAUÍ (91) 30815762 – PARÁ (92) 6356999 – AMAZONAS (96) 81192268 – AMAPÁ (98) 32213635 – MARANHÃO
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sábado, 28 de novembro de 2009

Nota política da UJC

A Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista – UJC apresenta para a juventude brasileira, para o conjunto de sua militância, simpatizantes, amigos e aliados uma análise sobre a conjuntura e as lutas da juventude e aponta os eixos de atuação política da UJC para os seis próximos meses que antecedem o V Congresso Nacional da UJC - BRASIL.

A crise continua!

Os impactos da Crise Econômica Mundial acarretam para os trabalhadores e a juventude a perca de direitos, desemprego e o aumento da violência. A Crise continua! E cada vez mais é sentida com o aumento do número de pessoas que passam fome no mundo. Obama segue os planos de Bush dando continuidade a invasão militar dos Estados Unidos e aliados no Iraque e no Afeganistão, ameaçando uma Guerra na península Coreana e no Irã, além de manter o apoio a Israel inviabilizando a criação de um Estado Palestino. Promovendo a guerra em larga escala ainda foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, quem sabe isso o tenha incentivado a enviar mais 30 mil soldados ianques para o Afeganistão para “pacificar” as lutas da resistência.

Como ressalta a Declaração Política do XIVº Congresso do PCB: “A crise demonstra de maneira cristalina a necessidade de os povos se contraporem à barbárie capitalista e buscarem alternativas para a construção de uma nova sociabilidade humana. Em todo o mundo, com destaque para a América Latina, os povos vêm resistindo e buscando construir projetos alternativos baseados na mobilização popular, procurando seguir o exemplo de luta da heróica Cuba, que ficará na história como um marco da resistência de um povo contra o imperialismo”.

Na América Latina, verifica-se uma crescente rejeição, por parte dos partidos de esquerda, das organizações dos trabalhadores, da juventude, dos movimentos sociais e populares, dos governos da Venezuela, do Equador, de Cuba Socialista e da Bolívia, ao projeto de Álvaro Uribe de favorecer a ampliação das bases militares dos Estados Unidos na Colômbia. Somadas a reativação da Quarta-Frota militar no Atlântico Sul e ao repleto histórico de intervenções políticas e militares na região, as bases militares podem cumprir o papel de fomentar um conflito armado na região ameaçando os países que hoje se contrapõem aos ditames de Washington como Cuba, Equador, Bolívia e Venezuela. A defesa estratégica do Pré-sal, da Amazônia e do Aquífero Guarani faz parte da luta contra o imperialismo.

O golpe militar em Honduras que culminou na deposição do presidente Manuel Zelaya foi uma clara ação contra a construção da Alternativa Bolivariana para os povos da Nossa América (ALBA). A UJC parabeniza e presta apoio militante a iniciativas concretas de solidariedade internacionalista como a da Casa da América Latina que colaboram para a concretização de ações efetivas junto aos movimentos sociais e populares, partidos e organizações políticas hondurenhas com o objetivo de denunciar e colaborar para a retomada do mandato do presidente Manuel Zelaya e a realização de uma constituinte naquele país.

Nossa resposta é a luta!

Uma pauta importante que se apresenta para os trabalhadores e a juventude do Brasil é o debate político sobre o PRÉ-SAL. Os petroleiros em conjunto com os movimentos sociais e populares e a juventude constroem a nível nacional a campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! A UJC convoca a juventude brasileira a participar dessa importante campanha nacional envolvendo suas entidades, associações e organizações na construção dos Comitês, ações e mobilizações da campanha. Continuamos firme na denuncia dos leilões criminosos promovidos pela Agência Nacional do Petróleo (Presidida pelo PcdoB) que fatia e vende as riquezas petrolíferas para a iniciativa privada. Defendemos a realização de um plebiscito para termos uma nova Lei do Petróleo que extinga a ANP, acabe com os leilões das bacias petrolíferas, retome o monopólio estatal do petróleo e aponte para a Reestatização da Petrobrás sob o controle dos trabalhadores. Somente desta forma podemos preservar a soberania nacional e assegurar que os extraordinários recursos financeiros que serão gerados pelo pré-sal sejam usados para a solução dos graves problemas sociais brasileiros e não para fortalecer o imperialismo e dar mais lucros ao grande capital.

A crescente criminalização dos movimentos sociais e os assassinatos de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST são ações preocupantes que devem ser respondidas com o reforço nas ações de solidariedade e apoio militante ao MST. Entendemos que essa ofensiva contra o conjunto dos movimentos sociais, intensificada na criminalização do MST, é nitidamente uma iniciativa dos setores políticos mais conservadores do país, que hoje fazem parte inclusive do Governo Lula.

A UJC vem participando das mobilizações unitárias em conjunto com o PCB e a INTERSINDICAL que estão ocorrendo no Brasil defendendo que os ricos paguem pela CRI$E. Mas também denunciamos aqueles que sob a bandeira da unidade tentam conduzir os movimentos sociais, sindicais e de juventudes ao pacto social, agora “justificado" pela crise. A UJC fortalecerá as ações unitárias, mas buscará construir agendas próprias ou integrando campos progressistas, que identificam na crise questões inerentes do capitalismo. No Brasil defendemos a construção de uma FRENTE ANTICAPITALISTA E ANTIIMPERIALISTA, na perspectiva da formação de um Bloco Revolucionário do Proletariado que aglutine forças na luta pelo socialismo, que vá muito além de meras disputas eleitorais.

Seguimos lutando e criando!

A UJC retomou de forma regular sua participação junto a Federação Mundial das Juventudes Democráticas - FMJD fortalecendo a unidade das organizações de juventudes comunistas e revolucionárias no cenário internacional na luta contra o imperialismo e pelo socialismo. Além da participação no último Festival a UJC vem participando ativamente de reuniões, encontros e seminários da FMJD que ocorrem na América Latina.

Estivemos presentes no Conselho Geral da FMJD em Havana (CUBA) e na reunião regional da FMJD em Santiago (Chile) e vamos construir e participar do XVIIº Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em 2010 alçando bem alto a bandeira do socialismo.

A UJC esta buscando estreitar cada vez mais seus laços de apoio e solidariedade com suas organizações amigas. O Congresso da Juventude Comunista da Venezuela – JCV realizado no final do mês de agosto do corrente ano sinalizou um importante acúmulo de experiências de lutas importantes para o conjunto das organizações de juventudes comunistas e da esquerda. Saudamos os 80 anos de fundação da Juventude Comunista do Equador – JCE. Compreendemos a importância e o compromisso revolucionário desta organização para o avanço da luta pelo socialismo no Equador e no mundo. Em setembro estivemos novamente presentes no Congresso da Juventude Comunista Paraguaia – JCP, organização com a qual aprofundamos as relações de solidariedade e internacionalismo, avançando nas lutas conjuntas pela soberania energética do Paraguai e na luta contra o latifúndio em nossos países.

A juventude trabalhadora é uma parcela da classe trabalhadora que sofre diretamente com a precarização, o desemprego e outras mazelas do capitalismo. A UJC vem acumulando experiências de organização e luta na organização dos jovens trabalhadores. Seguimos construindo a INTERSINDICAL e impulsionaremos a campanha NENHUM DIREITO A MENOS! AVANÇAR RUMO A NOVAS CONQUISTAS! Entre a juventude trabalhadora. A Coordenação Nacional da UJC convoca seus militantes da Frente de Jovens Trabalhadores a garantir a participação na Plenária Nacional da INTERSINDICAL nos dias 28 e 29 de novembro em Santos-SP, onde iremos realizar uma reunião nacional dos jovens trabalhadores ligados a UJC.

A UJC convoca seus militantes, amigos e simpatizantes a participação no processo de mobilização para a construção de um Seminário Nacional de Reorganização do Movimento Estudantil Secundarista durante o 38º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. A UBES que se destacou nos anos 90 na campanha pelo Fora Collor hoje atua em parceria com o ex-presidente na defesa das políticas compensatórias e focalizadas do governo Lula. Vamos participar do próximo congresso da UBES organizando os estudantes secundaristas e suas entidades de base (Grêmios) em cada estabelecimento de ensino com o objetivo de retomar o importante papel de mobilização e luta do movimento estudantil secundarista brasileiro. Movimento Estudantil Universitário

A destacada atuação unitária das Juventudes Comunistas do Fórum de Unidade dos Comunistas durante o último congresso da União Nacional dos Estudantes através da chapa POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR marcou um passo importante no rumo de uma proposta de reorganização da UNE e da construção de um bloco no movimento estudantil brasileiro que prioriza o debate estratégico da construção da Universidade Popular em detrimento da disputa por cargos na direção da UNE e da opção por construir entidades paralelas. Não compartilhamos da visão idealista de que o movimento estudantil, em forte crise, será reorganizado por cima, através de criação de novas entidades, mas sim através de uma forte mobilização envolvendo o conjunto dos estudantes, em torno de propostas e programas claros de uma reestruturação do ME.

A União da Juventude Comunista vem reforçando sua atuação política em importantes universidades do país. Nossa participação nos processos eleitorais das entidades estudantis e nos congressos estudantis das universidades, não é um fim em si mesmo e sim uma possibilidade de potencializarmos o papel de organização e luta dos estudantes a partir do fortalecimento de suas entidades. Para tal, nos processos eleitorais e congressos que participamos buscamos construir um campo político que se contraponha aos campos governistas e paute o debate estratégico da construção da Universidade Popular.

Na UFG vencemos novamente as eleições para a gestão do DCE, enfrentando o boicote patrocinado pelas correntes governistas e a postura sectária de um setor do movimento. CRIAR, CRIAR, A UNIVERSIDADE POPULAR! Foi a palavra de ordem cantada na última ocupação de reitoria.

Em São Paulo mantemos nossa participação na construção do DCE da UNIFESP e estimulamos a organização do Movimento pela base, nos cursos, através dos Centros e Diretórios Acadêmicos e do movimento estudantil de área. Fortalecemos nossa atuação no Movimento Estudantil de Área, contribuindo com formulações no tocante a temas relacionados a saúde pública. Na USP TODO CARNAVAL TEM SEU FIM! É o nome de nossa chapa composta por militantes da UJC e estudantes independentes. Desde a ocupação da reitoria em 2007 ampliamos e qualificamos nossa intervenção política. A USP vem sofrendo vários ataques do Governo de José Serra, as mobilizações dos professores, técnicos administrativos e estudantes cresceram nos últimos anos.

No estado de Minas Gerais apoiamos a mobilização dos trabalhadores da Universidade Estadual de Minas Gerais contra o Governo Aécio Neves e estamos nos preparando para uma disputa contra a juventude do PSDB nas eleições para o Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação - UEMG. Na UFMG após um processo eleitoral despolitizado e marcado por manobras políticas anti-democráticas que inviabilizaram nossa participação enquanto chapa e garantiu a vitória do campo governista,faz-se necessário a recomposição do campo de oposição a direção do DCE. Seguimos defendendo a realização de um Congresso dos Estudantes da UFMG para que neste congresso o movimento estudantil organizado possa construir uma plataforma de lutas pautada pela construção da UNIVERSIDADE POPULAR.

Na UERJ não participamos do processo eleitoral e denunciamos o acordo feito entre setores governistas com um setor da esquerda que constrói uma nova entidade. Retomamos nossa atuação na UERJ e somamos força na construção de um campo de oposição ao Governo de Sérgio Cabral.

Em Pernambuco participamos ativamente do Congresso dos Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) debatendo e combatendo posicionamentos anarcóides e pós-modernos que apontam para o fim das entidades estudantis. Na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) a cobrança de taxas é uma constante – seja na matrícula, no histórico escolar ou mesmo na expedição da 1º via do diploma de graduação. Enquanto militantes comunistas e defensores de um modelo educacional crítico e libertador, não aceitamos tal absurdo silenciosamente. É o nosso papel a organização dos estudantes para lutar contra as cobranças de taxas em universidades públicas e lutar pela construção de uma educação comprometida com as transformações necessárias e revolucionárias em nossa sociedade.

Na UFRGS, apoiamos a CHAPA 2 buscando manter o DCE na resistência aos ataques do Governo de Yeda Crusius a universidade e aos movimentos sociais. Na UFSM participamos da construção uma importante referência de esquerda no ME, que mesmo derrotada nas eleições para o DCE, politizou o debate e criou uma alternativa política de esquerda junto aos estudantes. Fortalecemos ainda nossa atuação na UFSC, denunciamos as manobras antidemocráticas feitas no Conselho de Entidades de Base e seguimos atuando em parceria com os movimentos sociais e pautando o debate estratégico da Universidade Popular.

A UJC esta retomando sua atuação no movimento de área fazendo o debate sobre as questões pertinentes a formação profissional na perspectiva da luta contra-hegemônica em relação ao capital. Participamos neste ano de vários encontros e buscaremos ampliar nossa participação nas executivas e federações de cursos, nos conselhos regionais e nacionais de entidades e no Fórum de Executiva e Federações de Cursos.

Os coletivos e núcleos de cultura da UJC estão desenvolvendo importantes atividades de cunho político e cultural pelo país. O Bloco Comuna que pariu! se prepara para sair novamente no carnaval do Rio de Janeiro, em Goiás o debate sobre Cultura Popular ganha cada vez mais fôlego, em Brasília a experiência do Teatro do Oprimido vem ampliando seus horizontes, Sábados vermelhos, Sexta Popular de Cultura e shows com bandas alternativas, são importantes experiências, que também levantam as bandeiras da União Juventude Comunista em diversos estados do país.

Ampliamos o núcleo da UJC em Cuba, denominado Carlos Marighela, que organiza estudantes brasileiros da Escola Latino-Americana de Medicina e da Escola Internacional Salvador Allende. Os jovens comunistas que estudam e vivem em Cuba, contribuem na construção do Socialismo na Ilha e nas lutas contra o Bloqueio e pela Liberdade dos 5 Heróis Cubanos.

Saudamos a realização do XIVº Congresso Nacional do Partido Comunista Brasileiro – PCB, organização da qual surge a União da Juventude Comunista e a qual a UJC possui vínculos políticos-ideológicos inquebrantáveis. A reconstrução revolucionária do PCB é uma conquista para a juventude e classe trabalhadora do Brasil e do mundo e nesses marcos, a própria reorganização da UJC em 2005, foi e é uma parte importante.

Construir o V Congresso: tarefa dos jovens comunistas

A Coordenação Nacional da UJC convoca seus militantes a começarem desde já os preparativos para o V Congresso Nacional da União da Juventude Comunista que se realizará nos dias 02, 03 e 04 de abril de 2010, na cidade de Goiânia/GO. O reforço na construção política e material da organização, a participação nas lutas políticas da juventude brasileira e a atenção na consecução das tarefas e objetivos traçados são peças fundamentais na consolidação da UJC a nível nacional como organização da juventude comunista na luta pelo socialismo no Brasil e no mundo.

A UJC mais do que nunca escreve em suas bandeiras e flâmulas: Fomos, Somos e Seremos Comunistas.

Viva a União da Juventude Comunista!

Viva o V Congresso Nacional da UJC!

COORDENAÇÃO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA

Rio de Janeiro – RJ – Brasil – Novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

POR UMA NOVA CULTURA DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Na correria da vida, no ritmo frenético da sobrevivência, tentando nos equilibrar no emprego, pagar as contas, talvez estudar para tentar melhorar de vida, difícil é encontrar tempo para participar da vida política de nossa cidade, ou mesmo encontrar algum sentido nisso. Geralmente só participamos quando chega o “tempo da política”, expressão muito utilizada para se referir às eleições. Quando resolvemos dar opinião sobre os problemas sociais, logo alguém adverte: “Isso é coisa de político.”

A política se constitui de reflexões e decisões humanas que fazem à mediação da vida social; ninguém vive fora de tais mediações. Participando ou não da formulação, somos todos submetidos a normas e instituições. As leis que mediam as relações de trabalho, a moradia, a moral, a utilização do espaço urbano, do transporte, a lei da educação, da saúde, do lazer, dos espaços, que define se tem sala de cinema e teatro na periferia ou não, o preço do ingresso para assistir o jogo no Serra Dourada; não há como fugir das normas sociais. Mas de onde brotam estas mediações que regulam a vida social? Ora, não somos nós mesmos quem criamos tais leis? Não vivemos em uma democracia?

Idealistas como Rousseau, um dos fundadores da democracia republicana, acreditavam piamente na possibilidade de regularmos racionalmente a vida em sociedade, de tal maneira que ninguém, por mais forte que fosse, teria o direito de exercer de forma desigual essa força sobre o mais fraco. Daí a ideia de que somos todos iguais perante a lei. Contudo, os conflitos sociais demonstram claramente os limites desse idealismo, na medida em que o uso da força é justificado na defesa da democracia; democracia falha que vem servindo a poucos. Democracia representativa que vem nos afastando das decisões e entregando nas mãos de poucos o direito de definir as normas sociais. Talvez o ideal de Rousseau só faça sentido se perseguido por meio da participação direta na política, na construção das mediações, das normas sociais, não por uns poucos parlamentares em negociatas de gabinetes mergulhados na corrupção, mas, sim, ampliando os espaços de decisão.

O processo de colonização e de divisão mundial do trabalho e da economia trouxe a ausência ainda mais forte de um Estado de direito a brasileiros e latino-americanos, ditos naturalmente inferiores, fazendo ecoar no imaginário popular afirmações desta inferioridade: “Terra boa de gente que não presta;”. “Plantando tudo dá! O povo é que é vagabundo.” Quando quebramos o estigma da inferioridade e nos organizamos para lutar por nossos direitos, o Estado se militarizou e fechou a ferro e fogo os canais de participação, ficando inconscientemente no imaginário de gerações a afirmação: “Contra a força não há resistência (lembro-me de ouvir isso desde a infância).”

A década de 90 foi a do individualismo, da privatização, da meritocracia, foi a década da doutrina neoliberal. Após a ditadura militar, que mutilou a participação política, tivemos a onda individualista pregando aos quatro ventos que “cada um buscasse o mérito de fazer o melhor”, desprezando a força dos grandes projetos coletivos e das organizações de classe, a força das agremiações políticas. O que acabou por fortalecer ainda mais a restrita política representativa. Votamos em um vereador e esperamos dois anos para votar em um deputado, e depois somos comunicados que o vereador votou contra o aumento do salário do professor no município, que o deputado votou em aumentar o tempo de serviço, adiando nossa aposentadoria. Somos comunicados que a Cachoeira Dourada foi privatizada, que a Universidade Estadual de Goiás sofreu um corte de verbas, que a passagem de ônibus aumentou, que há um rombo na previdência do município, ou pior, acabamos morrendo na fila de espera do Hospital de Urgência de Goiânia, enquanto as produtividades da soja e da cana batem recordes, favorecendo a balança comercial do Estado. Não é por acaso que não acreditamos nas instituições políticas, afinal de contas não respeitamos tais instituições porque não somos respeitados por elas. Mais fácil é fazer uma troca de favores qualquer do que pensar seriamente em participar da política.

Antes que sejamos comunicados que a empresa que trabalhamos vai demitir 200 pessoas, com a justificativa de conter a crise, mesmo recebendo apoio fiscal do governo. Antes que sejamos comunicados da privatização da Celg, ou da UEG, ou que tenhamos um outro episódio como o massacre do Parque Oeste Industrial, haveremos de nos mobilizar e construir no dia-a-dia uma outra cultura política, na qual sejamos nós os que decidem. Talvez seja preciso parar tudo para fazer um grande debate público, em uma “Ágora sem escravos”, e recriar os canais de participação na política, recriar o nosso lugar, onde faça sentido participar, construindo outras instituições mais coletivas, instituições que respeitaremos, pois nos sentiremos respeitados aos construí-las. Mas é claro que isso não significa nos ausentarmos dos espaços que existem, mesmo sabendo de suas limitações, e nem que isso seja possível sem conflitos significa buscar a ampliação dos espaços de decisão, fortalecendo as organizações de classe, potencializando as ações da sociedade civil.

Já pensou se fossemos nós os responsáveis por decidir os rumos do caótico transporte coletivo de Goiânia? Já pensou se houvesse um plebiscito para decidir sobre o sistema público de saúde, ou sobre a situação da Celg? Se pudéssemos decidir sobre as relações de trabalho e o destino dos impostos, já pensou o que poderíamos fazer? Mas isso, isso é coisa de político, não é mesmo?


*Fernando Viana é Secretário Político do PCB em Goiás.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DCE/UFG LUTA PELA AUTONOMIA ESTUDANTIL!

Mais um enfrentamento na UFG. Os jovens comunistas organizados na UFG vêm lutando pela manutenção da autonomia de organização estudantil.

Já algum tempo, o Ministério Público Federal, vem notificando a Reitoria da UFG para retirar as fotocopiadoras do controle dos CA’s e do DCE. Tal ato é justificado, segundo o Ministério Público, pela ilegalidade das copiadoras, que utilizando do espaço da Universidade realizam atividades financeiras dentro de um orgão público.

Sabemos que são as fotocopiadoras, as responsáveis pela manutenção da autonomia financeira das entidades estudantis e conseqüentemente pela sua autonomia política.

Além deste fato, com a legalidade destas fotocopiadoras, passaremos a ter um questionamento maior sobre a lei de direitos autorais que limita a reprodução de conhecimento e prima pela mercantilização desta.

Sendo assim, a UJC em Goiás, que atua ativamente no DCE/UFG irá realizar uma ampla campanha de defesa da autonomia estudantil.

No dia 04 de novembro, será realizado uma Assembléia Geral dos Estudantes da UFG a fim de pressionar o Ministério Público e a Reitoria da UFG que não iremos aceitar os cerceamentos dos nossos direitos de autonomia e organização.



Goiânia, 27 de outubro de 2009



João Victor

Coordenador Estadual da UJC em Goiás